Escrevo algumas coisa sobre meus momentos e também sobre tantas outras coisas. Depende do humor, depende do dia. As vezes pode ser somente um desabafo, mais tem muito misturado ali no meio das palavras. Obrigado pela visita, comente se achar necessario. Breno
Friday, January 28, 2011
Quadro Geral
Vejam bem, esses são os gastos do governo com bolsa familia até agora:
2004 - R$ 5.533.257.937,91 (5 bilhões e meio de reais)
2005 - R$ 6.873.978.415,00 (6 bi e oitocentos milhões)
2006 - R$ 8.145.378.044,02 (8 bi e cem milhões)
2007 - R$ 9.222.092.911,00 (9 bi e duzentos milhões)
2008 - R$ 11.069.066.952,70 (Onze bilhões e 69 milhões de reais)
2009 - R$ 12.407.256.784,00 (doze bi e 661 milhões de reais)
2010 - 13,11 bilhões
2011 - R$ 13,4 bilhões estão reservados para o Bolsa Família. É um aumento de 2,2% em relação ao orçamento de 2010
Certo agora vejam o que os EUA gastaram com as guerras:
http://veja.abril.com.br/noticia/internacional/por-tras-das-%E2%80%98guerras-sem-fim%E2%80%99-uma-imponente-industria-belica
Segundo levantamentos os gastos já ultrapassam incriveis 1 trilhão de dolares! Pois é! São doze zeros! $1.000.000.000.000,00 ! ! !
Não to com paciência, nem com inteligencia o suficiente pra calcular isso agora. Mais só de olhar, sei que essa grana da guerra daria pra sustentar o bolsa familia por anos a fio.
Pois é, vale a pena refletir sobre isso.
Friday, July 09, 2010
Voltando a vida "on-line"
Ai vai:
Coração Louco
Hoje em dia não há espaço pro amor, pras loucuras, pra se fazer amar. Tudo que você quer é simplesmente pegar aquilo que você ama e levar junto, bem ao lado e onde seus braços e corpo possam proteger. Mais no mundo atual não há lugar para isso.
Planos e mais planos, jogos de amor e cenas de romance. Tudo parte do contexto atual, onde o romantismo não se encaixa, onde olhar nos olhos é demais para quem precisa de alguém, basta estar ao lado, aquelas três palavras são demais, aquele abraço de boa noite e um beijo carinhoso olhando nos olhos é um exagero.
O mundo fica cada dia mais escuro, a ruas mais desertas, os pensamentos mais escassos. Focando somente é uma só coisa, aquilo que atormenta minhas idéias, que me faz sonhar, que traz ar pro meus pulmões e sangue para minhas veias, sempre aquela imagem de ter você.
Faça o que tenha que fazer, e deixe-me fazer também. Eu sou assim, eu sou exagerado perto de você, eu só consigo ser assim, fazer assim. Loucuras de amor, sonhos juntos, o luar sobre nossas cabeças e as fugas inesperadas.
Venha comigo quando eu chamar, não se preocupe em me perder, não questione meu modo de amar, pra mim só existe você. Nada é tão pouco que não possa crescer, dê mais uma chance para meu coração louco e deixe o tempo acontecer.
Por Breno ®
Thursday, March 06, 2008
Às Arvores
É quando você olha pela janela do ônibus e percebe que os desprendimentos trazem solidão. E quando você repara na liberdade, e em tudo que ela te dá de presente, em toda soltura, todo desprendimento vem incrustado de solidão nas entrelinhas. Por uns instantes sinto medo de me perder nisso, de me esquecer do que tem valor, do que se quer poupar, deixar de cuidar, deixar de plantar, esse chão que às vezes parece mais uma miragem projetada por esse calor ensandecido do fim dos tempos com esse aquecimento global que é tão sem remédio quanto essa sensação de tristeza que a gente tem que encarar em um espelho volta e meia, quando seus olhos inexpressivos começam a diminuir e suas sobrancelhas se contraem, e a superfície de seus olhos castanhos fica levemente aguada, e você passa a reparar nas olheiras, falta bebida, bebida essa que te ajuda a passar a noite efêmera sorrindo, sem nada quando chega em casa e dorme, só resta a secura do dia seguinte, a sede insaciável de liberdade que não dura muito tempo, o equilíbrio é muito complexo.
Você tem de crescer, florescer, dar frutos, não se importam se algumas vezes suas raízes necessitarem de mais água, de mais sol, de mais cuidado, no final a velha frase clichê é quase lei: “Pelo caminho difícil os fracos pereceram e os fortes triunfaram”. Às vezes alguns desses fortes só sobrevivem pôr que existe um fraquinho ali para ele zombar, é fato, um pouco cômico, uma dose de humor negro, mas real. Posso dizer que tempos sob as estrelas podem me curar, posso dizer que tenho forças para levantar-me, para lutar, para continuar, mas isso só seria mais uma mentira costumeira, seria uma negação diante da verdade exposta.
Caminhando e observando dos lados os pontos tão distintos se juntando quando você passa, sua presença é meramente complementativa, mas no fundo não vai dar um ponto final no mundo quando não estiver ali. A adaptação é constante, e os novos rumos também, as vezes não rego o que deveria regar, não sei porque, o medo de que aquelas raízes te abandonem ou apodreçam e você se sinta mais um estranho acenando sem nenhuma palavra a dizer, descubro então a respiração, que tanto diz, um suspiro, além de todo o vão do olhar que me reflete, se ver através dos olhos alheios é a maior fantasia e por vezes a maior felicidade, indispensável, o medo é do tempo que não deixa de passar, tempo esse que traz fins e distância, e que eu tenho que deixar o negativismo pra saber que trás mudanças também, melhoras, quando você vai aprendendo a lidar com a vida, e com pessoas, quando você valoriza todas elas.
É bom sentir hoje cabeças de anos atrás em meu ombro, por mais que as perspectivas tenham mudado o carinho continua ali, as raízes te envolvem, é confortável se perceber acompanhado, perceber que você é capaz de acender sua própria luz e iluminar sua expressão, iluminar seu medo, se libertar completamente dele, se ver dentro de seus olhos como combustível. Assistir a felicidade ou aproveitamento com tristeza por quê? Tudo que foi bom não vai ser apagado jamais, as vezes dói, o vazio eu já não rego, porque existe terra demais cultivada por ai, desculpe.
Por Cadu Tenorio e Breno Araujo
Sunday, September 02, 2007
Vortex
Pertinente, quase que vive comigo, aquele zumbido no ouvido, uma e outra vez, se repete, e se repete, como uma gota caindo em um balde vazio, ressonando alto impedindo meu sono. As vezes por isso desejo ser uma barata, mas logo logo mudo de ideia porque parece assustador ter apenas três segundos de memória, renascer e mudar de objetivo a cada três segundos, mas assim eu poderia esquecer de muita coisa, ter diversas e diversas chances de 3 segundos onde eu conseguindo ou não, não iria importar. Mas mudo de ideia porque não existiria nada pra guardar, seria um vacuo, você não existiria nem pra me excitar durante os momentos em que tento me sentir menos só com minhas mãos.
Então, por quê? O que é? Escorrega entre meus dedos quase que sem eu ver. Perco um por do sol, perco uma lua cheia, perco pequenos momentos. O álcool vai se tornando medicamento prescrito para anestesiar o viver, o lutar, o se esforçar... Enfim, a vida no meio desse capitalismo. A vida é bela, um ótimo filme, inspirador, ver que o mundo pode ser moldado na cabeça de alguém menos experiente, ver que aqueles sorrisos são os mais sinceros, ainda está virgem, virgem de tristeza, virgem de morte, virgem de decepção, ainda não teve rachaduras no coração nem quebrou o nariz, o sangue ainda não escorreu, os anticorpos e as defesas ainda não são consistentes, a gripe ainda pode deixá-lo faltar aula. Pena que esses tempos em que eu ganhava dinheiro fácil, passaram. A realidade é quem vigora e pesa agora. Pensa como nunca, como pesos, e dólares, e os mimos que me deram me deixam estagnado, minha consciência funciona, mas não age, meu corpo tem preguiça, preciso agir, preciso agir, o tempo está passando, o mendigo me assusta, tenho pena dele, não sei da sua vida, e tenho medo de perguntar, odeio admitir. Quero crescer ou não? Já nem sei, sei que devo, só não sei querer ainda, mas quero querer, o querer querer é presente em minha vida, ele pode ser simplificado como qualquer outra fração, eu quero, preciso agir, o medo não me deixa nem lhe dar "Oi", o medo das escolhas que não se separam do denominador: renuncia.
Por Breno Araújo e Cadu Tenório
Thursday, August 16, 2007
Repete Chão (E agora quem poderá me defender?)
E parece que está tudo quieto, mas na verdade não, como o ceratocone, esse barulho de vida nunca vai parar, só quando o nunca, de fato, se concretizar, findar o som e o ar, e mesmo assim nunca se saberá, nunca. Vivo a reclamar de nada, porque nem tenho do que reclamar, só faço mesmo pra adiar o movimento, adio tudo, tenho medo porque não se pode voltar, fico no meio do rio sem escolher lado nenhum esperando a correnteza me levar pra onde cai a cachoeira, mas o problema é que me encontro em uma banheira, me escondendo do mundo, digitando, escrevendo desenhando e tentando transformar insatisfação em qualquer espécie de manifestação artística do acaso. Manifestações que capturem meu momento, meu fantasma, e muitas vezes meus tormentos, por que às vezes isso me afaga, isso massageia meu ego ou impede que eu me entristeça mais quando as coisas que planejo ou que simplesmente “deixo rolar”, não acontecem com a pontualidade esperada. Enquanto isso ouço somente o som do teclado, digitando meus anseios, minha lágrimas, minhas perdas, meu medos comuns e incomuns, minhas particularidades sobre esse ou aquele assunto, e as vezes um personagem que tento criar pra me sentir mais humano.
Minha mente divaga consigo própria como sempre faz, remoendo coisas, pensando em somas de problemas e mais problemas psicossomáticos, psicológicos e psiquiátricos tentando achar sempre algo pra me distrair e fugir do meu foco, mas isso é viver, acho que isso é viver, hoje me senti são e salvo, me senti normal, mesmo remoendo tudo repetidas vezes e tendo medo - sim, tenho medo, o que não é nenhuma novidade. Tenho raiva também, sei que passa, mas quero apertar "stop" nela a hora que eu quiser, na verdade eu poderia clicar nela e apertar "delete", mas ai não seria mais eu, talvez essa megalomania grande que vem com essa vontade de fazer o impossível seja reflexo de contar demais que sou a imagem e semelhança de meu Pai, pelo menos eu posso dizer que um Pai me dá auxilio mesmo que sem palavras, mas espere - meu pai faz o mesmo, mas não o culpo, somos ambos inocentes, marinheiros de primeira viagem - Talvez isso seja bom, deve fazer com que eu cresça mais rápido, mas enquanto não - Me deixe fingir que ainda não cresci por mais alguns minutos - que essa minha necessidade de ser infantil até o fim continue instigando e originando vários e vários textos, músicas e desenhos repetitivos, me sinto um pecador, não quero blasfemar nem nada, peço perdão, perdão, perdão por tudo, eu tenho mais é que ME perdoar mesmo. O silêncio conseguiu escrever esse apanhado de palavras, ela, elas, todos, as mãos que me amassaram/amassam, desamassam, deixam marcas, assuam o nariz e fazem outras coisas mais, que me moldam, que me molham, que me deixam acidentalmente cair no chão, eu choro feito um recém nascido esperando que dêem palmadas no meu bumbum, mas tudo que encontro e vejo olhando pra cima é o chão, é hora de me segurar, com minhas próprias mãos.
Insidiosamente tudo acontece, brisa leve, vento forte, nevoa densa, chuva cortante, no final nada se encaixa, somente eu me encaixo nela e ele em mim, mas mesmo assim as vezes preciso testar minha liberdade, testar como sou sem ela, testar como sou eu.
Por Cadu Tenório e Breno Araújo
Tuesday, July 31, 2007
Doces sonhos.
Por Cadu e Breno
Tuesday, May 15, 2007
Engrenagens de uma gigante bola azul.
Por Cadu e Breno
Saturday, April 14, 2007
Perdidos numa eterna transição.
Simples, singelo, toda vida pode ser resumida em situações comuns, tenha você dinheiro ou não, tenha você a beleza comercial ou não, tenha você sucesso ou não. Perdidos em toda essa confusão eles se encontram, ela ainda jovem e no inicio de um casamento onde é praticamente impossível encontrar seu lugar numa relação a dois que será para sempre. Ele com um longo casamento, meia idade.
Dançaram os dois um tango do pecado, quentes, esqueciam de suas vidas no momento juntamente pra viver o momento, momento esse ao qual desde que se entendem por gente dizem-lhes para aproveitar, dois raios de luz que se cruzam por um milésimo de segundos que se estende por algumas horas em nossa noção primitiva de tempo, ambos com seus compromissos marcados não passíveis a mudança, não-supostamente-passíveis ao "erro", erro esse o qual a vontade não desmerece, a vontade os enche o ouvido com "é isso, tu desejas" e suas mentes desejam de fato imaginando todo o circulo que se sucederia em uma cama circular de motel, gemendo ardentemente, ele com uivos, ela escandalosamente como seu marido provavelmente jamais vira. Os dois chegaram ali depois de uma conversa sedutora, não ligados de nenhuma forma, eram meros estranhos um para outro deixando florescer os estereótipos da carcaça de cada um, um para outro, fazendo com que interpretações pessoais se tornem abrangentes no decorrer da imaginação, estando com quem querem, e sendo quem querem ser. Por um momento se aproveita essa volátil liberdade, da qual na cabeça tenta-se suprimir a culpa, que é trocada por um orgasmo pasmo e delicioso de ambas as partes, a pressa com a qual se movimentavam, de frente pra trás, pra cima e pra baixo, roçando entre si o suor, se tornava urgente, como se eles reclamassem por isso, por essa liberdade, quisessem expelir pra fora o sofrimento, sentir o alivio do momento, o descanso imediato de seus corpos, o alivio, o diferente, a escolha, a suposta liberdade que não se tem, mas que no caso foi gostoso fingir que se tinha.
Ambos passam por situações ambíguas de uma mesma vida, de um mesmo traçado. Pare e defina “experiência”, como adquirimos “experiência de vida”? Será que realmente ganhamos isso com o passar do tempo ou simplesmente nos cansamos de fazer as velhas coisas tudo outra vez? Ambos provavelmente a tinham de ângulos diferentes, ela com suas histórias tristes de uma família partida e deprimida, ele com as histórias de um rigoroso pai, que o espancava sem piedade, e o qual talvez ele agradeça de certa forma, pela força que o auxiliou a ter. Ela comenta que no mundo de hoje a "idiotice" talvez seja necessária, pra acrescentar culpa e lamentação a nós eternos insatisfeitos, e diz ainda que os poucos momentos os quais somos felizes tem mais é que ser aproveitados, coisa com a qual ele concorda, presos e estagnados em uma realidade parecida como foi citado antes no texto, uma realidade que sim, gostariam que fosse pra vida toda, mas em pequenos momentos não.
Pequenos momentos somente pertencentes a eles concordam, não se incomodam de falar sobre tudo, sobre erros, sobre pecado, sobre prazer, são livres, pois não são eles, são quem querem ser e demonstram seus âmagos mais tristes um para outro, demonstram aquilo que acham que não devem mostrar a quem quer que seja feliz ao seu lado, as insatisfações que acabam se acumulando de relacionamentos impostos por machismo, onde contos de fadas são tomados por referencia e pessoas, não desejos sexuais ou insatisfações, eles alegam dessa forma, justificando seus atos, seus momentos de prazer, de liberdade. Libertaram-se agora de seus demônios interiores, puderam ser os maus pensamentos que tanto os incomodam por alguns segundos, puderam pô-los pra fora, puderam sentir-se afagados pelo encontro de um estranho que divide de mesmas angustias.
Repita a musica que você sempre ouviu antes de supostamente crescer e criar responsabilidades por você e por terceiros, capture novamente os sonhos que você guardava na pureza de sua infância, aqueles os quais com o passar do tempo foram mudando e se perdendo conforme você mudava suas prioridades, amadurecia, ou era forçado a esquecer, deixar pra trás. E é assim, por essa força, por esse amadurecimento, que você vai passar a fugir da felicidade, ou simplesmente mata-la, evitar que exista pela incerteza da duração e por conta da queda.
Por Breno Araújo e Cadu Tenório
Thursday, February 08, 2007
Neblina
Guardei-te junto com os sorrisos. Puxo sempre seu rosto do meu bolso. Retiro o cabelo de seu rosto, pra poder enxergar por completo seus olhos. Lá estão como estrelas que brilham como água cristalina, transparece. Janelas da alma. Aquela expressão ali guardada. Pra todo o sempre. A suposta felicidade. O que ficou aqui guardado por toda eternidade. Eternidade que se tornou passageira, do sentimento que a movia, eternidade que se tornou uma asneira, depois que disseste com se sentia.
A fumaça se dissipa no ar, se funde se espalha. Ela se torna parte dele. Do todo, do vento. O mesmo que faz seu cabelo esvoaçar, que derruba as folhas, que traz ciscos para atrapalhar o seu olhar. Dizem que a alma se funde ao vento. Dizem que o sentir se torna o relento. Dizem que tudo vai ao infinito com o pensamento. Logo após destino algum “pensar”. Mas que tudo sempre vai ser válido, de aprender, eu hei de me lembrar, como fui tolo ao tentar transpassar, o que jamais poderia esquecer, mesmo quando viesse a hesitar, sobre vivê-lo novamente, sobre senti-lo ardentemente, aquele maldito e sublime sentimento transparente.
Escorrendo como um rio ao encontro do seu delta, tentando voar como um pássaro engaiolado, recém libertado, sentindo o ar penetrando em suas asas num vôo rasante na mais nova caçada, em busca do que perdeu em busca do que sou “eu”. Sem complementos agora tenho que juntar todas as peças, pra formar o novo “eu”, tentar buscar o que se perdeu.
Sinto o sereno me abraçar, respiro fundo esse ar. Trago mais um pouco de mim. O caminho ainda é nebuloso, e eu insisto em aspirar, insisto em tragar pra dentro de mim. Insisto em guardar aqui, aquele cheiro que ali permaneceu. Sim, aquele seu, eu me lembro. Me transporto para aquele momento. Agora sei. Tenho que ir e deixar tudo aqui, já finado se tornou lembrança. Boa até. Mesmo após a tormenta. Aqui. Daqui nunca há de sair.
Por Cadu Tenório e Breno Araújo
Friday, January 05, 2007
Quarentão sadicamente feliz.
Internei-me, em uma clínica onde eu mesmo sou o dono, uma internação perpétua, na verdade um xilindró que eu costumo chamar de casa, algo bem pueril, imundo, com roupas espalhadas por todos os lados, imagens de tudo que foi antes, livros amontoados aqui e acolá, livros que li pela metade por não conseguir terminar, ou talvez por não querer mesmo, como estive pensando. Pra que termina-los é bom sempre saber que eles estão ali para serem terminados um dia, por medo de terminá-los e não ter mais o que fazer, ou medo de sempre falhar no que me aprofundo? Talvez um pouco de tudo isso, estou bêbado, tudo que falo, divaga entre meus pensamentos, parece complicar ainda mais o quebra-cabeça de cacos de vidro onde minha imagem refletida foi espatifada junto ao copo que me arremessei por raiva, raiva de estar parado, raiva de estar olhando um reflexo de um ser que desconheço que provavelmente ela desconhecia um ser que não teve coragem alguma pra ser algo, pra se mostrar, um ser que parece muitas vezes não merecer existir, um ser que se tornou impenetrável por palavras que tentam chama-lo a razão.
Coração de pedra, coberto por cobre, gelado pelo tempo frio, mas com sangue quente correndo por ele, talvez seja esse sangue que ainda o deixe vivo. Esse sangue que se perdia quando ele se cortava tentando consertar algo nela ou às vezes até nele mesmo. Ele não podia tirar os olhos dela, não podia virar a esquina, que a falta dela era desconcertantemente voraz consumindo-o e o levando a loucura novamente, afinal ela era o ponto de equilíbrio, para ele, ela era a razão e perfeição que o dia a dia tirou dele, todos esses anos ela estivera ao seu lado.
Sunday, December 24, 2006
Velocidade
E você vive uma fantasia, mais nessa fantasia você voa sozinho, não existe terra do nunca e você não está compartilhando nem mesmo seu ar com os outros e suas vestes sempre te parecem sujas, por mais que você use aquele alvejante que você viu na propaganda da tv. E o que é a TV? Por que ela te ilude tanto? Não tanto quanto aquelas musicas o fazem, certo? Por que me sinto atraído por um pedaço de metal com rodas? E a velocidade, Por que sempre você valoriza o que te faz ficar mais atento mais rápido? Aquilo que você pensa que faz isso é apenas um acelerador, mas o desgaste é tão maior quanto à velocidade, o prazo de validade é o mesmo, como já falavam há tempos, "a pressa é inimiga da perfeição", não alimente seu inimigo.
Mas mesmo assim, como ainda insistem em dizer "nessa idade entra por um ouvido, sai pelo outro", acelerando sempre mais e mais eu pego a avenida em direção a BR, encontro uma grande reta e confronto meu carro até onde ele pode ir, e isso simplesmente me alivia, por um momento todo aquele vento batendo sobre o meu rosto em um carro em alta velocidade com os vidros abertos eu consigo por um instante sentir o que um pássaro sente quando abre as asas e voa de uma montanha. Até acordar e perceber que não sou um pássaro, com a morte em minha frente e a adrenalina dando cabo de acelerar tudo por dentro, o nervosismo e o perigo disso tudo, não tinham espaço na minha mente há pouco tempo atrás, eu descobri a morte, em um corpo murchando como uma bola de gás.
E por isso acho que nunca amei alguém a não ser aquele que vejo no espelho. Passando a mão sobre o cabelo e lendo um bom livro de historia ou filosofia, por que será que há mil anos atrás isso que eu falo já era tão atual? Afortunado eu sou, pois tenho complexos um dia vividos por Narciso, hoje em dia falam que isso é muito importante, talvez por isso ninguém consiga ser tão gentil quanto antes e outros ao subir um degrau puxam os que estão mais acima, talvez o mundo esteja acabando, mas quem liga? A TV fala para eu não me importar com o futuro das coisas, a TV fala para eu deixar a política de lado é tudo normal é tudo comum, aqueles que passam fome estão dentro da margem e enquanto isso eu me encontro em um shoping tomando um soverte, comprando algumas besteiras, assistindo a algum filme e vou embora de lá com uma bela garota em meu belo carro.
De belos e belos entre feios e feios. O feio, o Belo. O belo, o feio. A vida, a morte. Dualidades, liberdade, libertinagens. Vontade, silêncio. Amor, salvação, clemência, visão, visto, dito, feito, aceito. Nada disso é mito, tudo depende de você, e dai que é clichê?
Por Breno e Cadu Tenorio
Sunday, December 10, 2006
Síndrome de Chronos
A cada segundo parece que tudo vai se acumulando ao lado de nossos pés, a cada minuto um novo obstáculo, a cada hora um novo pensamento no encalço de nossas mentes já tão frágeis e calejadas pela crescente necessidade de ser mais a cada centímetro ganho na estatura, a cada ano ganho em meio a velas acesas, a cada passo dado através de livros e estudos, a cada número que nos dão no colégio supostamente aumenta nosso conhecimento, a vida e outras experiências, ao menos é isso que nos dizem.
Tudo definhando como aquela arvore que ficava no meu quintal, cadeados fechavam a porta de madeira que ficou tanto tempo intacta, mas agora foi aberta e as coisas andam mais rápido. E nessa desconcertante velocidade eu me vi cheio de recordações, parece-me que tudo correu mais rápido que aquela cachoeira e as recordações escorrem sobre mim como água, às vezes reconfortante, às vezes de modo desagradável. Elas se fazem tão frias e intocáveis que chegam a dar agonia certas vezes, e pensar no que fomos antes e no que viramos depois, a saudade nos arranha, o medo nos assola, o desejo que nos impulsionava ficou perdido em meio à bagunça do meu quarto que nunca me preocupei em arrumar.
E você não conheceu os caminhos que lhe pareciam acabar sem aquela exatidão que você necessitava, veja todas aquelas pessoas que buscaram a estabilidade junto com você, elas parecem felizes? Por que você não tenta algo dessemelhante ao normal? Difícil admitir algo quando te falam pra não falar nada que te torne menor e sim àquilo que te enobrece aos olhos de todos, mas ao menos diga a ela o que você sente, não pense como você vai ficar refém de todas as futuras situações, tente agir pensando no seu bem estar, mas lembre-se de não confrontar seu bem estar com o de outros, retire esse peso de suas costas, não posso te garantir que tudo vai melhorar, mas posso te dizer que tudo pode mudar de ângulo pra algo que jamais lhe ocorreu, nem nos dias em que você esteve mais pensativo.
E digo-lhe que o melhor remédio que poderá tomar é um diálogo olho a olho, com a sinceridade da lágrima, a clareza no grito, o sentimento esbanjado, transbordado e cativo, combatido a unhas e dentes, transformado dentro de você por medo de expor, vergonha ou qualquer coisa que o valha, mas você tem toda a capacidade de expressá-lo ao invés de usá-lo pra se envenenar ou engasgar, ou pra se fazer de menor, pra ser digno de pena, como ando te vendo fazer. Pegue ele ai, coloque-o em miúdos olhe bem nos olhos dele, deixe a lágrima cair, explore a emoção que você observar nos olhos dele, e ai PA - pum perdeu o poder. Ficção se une a realidade, onde abismos são criados.
Por Breno e Cadu Tenorio
Friday, November 10, 2006
Prisma.
Ficção cientifica ou simplesmente contos esquecidos? Você sabe em qual contexto encaixa-se sua historia? Tente sentir o som a sua volta uma ultima vez, caminhe em linha reta buscando algo. E agora você se sente melhor? Você é o que sempre foi um covarde, sempre desistindo de ultima hora e quando mais necessitam de ti se perdes entre emaranhados de palavras e cicratizes antigas que se abrem constantemente te lembrando o que ocorreu há pouco tempo atrás. E ai você sangra, sangra pelos ferimentos e também sangra pelos olhos, chora aquele choro uivado, você uiva de dor, mas cadê a dor? Tu também não sabes onde ela foi parar. Ah sim, tu deixastes ela no fundo do ultimo copo da vodka vagabunda como de costume. Amanhã tudo volta... Tudo volta na tontura e na ânsia de vômito.
Um par de tênis bem no canto da sala, cristais refletindo junto ao sol, tudo parece estar onde sempre esteve no mesmo lugar, baladas tocando ao fundo e eu aqui sentado inconfortavelmente nessa poltrona confortável, contorcendo-me em busca de algo. E agora? Como podes? A única razão pra continuar seguindo as luzes que esses cristais refletem através de ti e por até então acha-las atraentes em certos pontos de vista, você a escureceu e nada vai voltar, uma pedra que rachei ao jogar no chão estará guardada para lembrar-me de não viver mais isso. Mas depender de um reles amuleto pra me aprisionar a mais uma limitação de meu ser, eu me classifico, me limito, me defino, me definho, sacrifico, cada ponto de luz que pude expelir pela minha alma já cortada, já esburacada de bala, já metralhada pela censura, mas o que seria a alma? Seria minha mente, meu pensamento, esse emaranhado, essa linha de pipa dada no chão toda embolada pra enrolar no carretel que vai acabar ficando cheia de nós, ou remendos de nós cortados. Perigo.
Cadê? Mostra-me? Onde tu guardaste tua vida? Vida é essa ai! Você ta escondendo essa porra no armário não é? Não devia, você devia vesti-la, e mostrar por ai, se gabar mesmo do seu presente, que nem é tão novo assim, mas acho que agora você já tem tamanho suficiente pra caber bem dentro. O que há contigo, porque falas sozinho? É eu sei você quer escutar de si o que és, já que só tem dado ouvido pros outros, espera acho nem pros outros você tem dado ouvidos direito, escuta o que queres, vê o que bem entende como entende e só entende quando quer entender, afinal você quer entender? "Pra quem você tem dado ouvidos?", "O que você quer da vida", "O que você vai ser?" Tu só ficas com essas perguntas pregadas em suas mãos, você está atrelado a elas, essa teia resistente. Não deixe isso acontecer, estão roubando tua vida de você. Isso, essa dose de vodka já deve estar te fazendo enxergar dois de mim, está gaguejando. Vai ao banheiro! Vá esvaziar mais ainda de si e dê descarga! Vá pelo ralo abaixo.
Acendo a luz, páro de me indagar sobre mim e através de mim, onde foi que eu enfiei minha vida? O prisma reflete a luz do lustre em meus olhos, o prisma brilha, brilha. Porque você não brilha como ele?
Sem ouvir meia palavra, ele cambaleou até a pia, lavou as mãos, olhou para o espelho espatifado, esqueceu de procurar, não achando e deitou-se na cama, dormiu.
Olhe tudo brilhando...
Por Breno Araújo e Cadu Tenório.
Wednesday, November 08, 2006
Faces de um mesmo eu.
Breno
Dentre todas as visões essa é a mais especial, encontra-se todo dia em uma nova tonalidade, tudo parece mudar de lugar a cada perda, cada perda de segundo que parece escurecer diante dos olhos e apagar-se junto às fagulhas resplandecentes amareladas, de minuto que vem a clarear a chuva que cai junto com o sol, de um dia que parece inacabável até que uma grande luz branca surge no céu em formato de bola numa noite tão linda e essa “lâmpada” criada pela noite parece que ilumina mais à frente, eu já posso ver os pontos que até então pareciam cinzas. Fazem-se frases que ecoam em nossas mentes, eu digo pro infinito “eu sou”, sou, o que seria se não fosse? Não dá pra saber, afinal nada sai do meu controle, não no meu mundo, não na minha mente, não em meus castelos e estradas que eu próprio construí. Sou o rei do meu mundo, meu dono, meu mundo, às vezes preguiçoso, às vezes perseverante quando algo me incomoda, às vezes esqueço de dar descarga e fica tudo ali acumulado, aqueles pensamentos que eu queria que fossem embora, quando aperto o “botão” vai tudo pra longe, não me importo onde irei guardar aquelas lembranças, qualquer outra saída deságua em reações nervosas e as vezes até egoístas.
Por Cadu tenório e Breno Araújo.
Considerações Iniciais.
Breno.
Com a proposta de situar duas mentes em um único propósito, dois pensamentos com suas diferenças muitas vezes explicitas em uma idéia em comum, lembrando assim o desenvolvimento de uma sociedade, o desenvolver e o aprendizado que todos temos com as diferenças alheias, do que queremos e não queremos ser as certezas que se desenvolvem com o tempo, o concílio, foi isso que propus ao Breno quando sugeri que fizéssemos um blog juntos, que juntos pudéssemos expressar o que sentimos e achamos um complementando o outro, com a dualidade protagonizando a idéia. E é assim, com entendimentos e vidas diferenciados em varias camadas incluindo regionalmente que começamos aqui essa nossa pseudo-terapia.
Cadu.